" Fascinam-me as minhas mutações faiscantes que aqui caleidoscopicamente registro. " CL

" Fascinam-me as minhas mutações faiscantes que aqui caleidoscopicamente registro. " CL

30 de março de 2015

"não desvie os olhos
me olhe
esta cara que trago
é justamente esta cara que trago
o caco o mapa o trago
do que sobrou da viagem
tome um trago
me olhe
nao desvie os olhos de dentro dos olhos
esta cara que é minha
é o que restou dos naufrágios trágicos
de todas as ventanias
de todas as calmarias
de todos esses contatos imediatos ou não
me olhe
não desvie os olhos
de dentro e fundo de mim
veja o resto
conte o saldo
depois me mate
me cuspa
me acuse
ou me recuse
então quem sabe me goze
no fundo bem fundo
no fundo de mim"

Caio Fernando Abreu, 1978

21 de março de 2015

Minhalma vista assim, por você, que me olha e me vê, e vê mesmo!


"Sou apaixonada pela sua alma.
Entenda, não é algo físico. Simplesmente me fascino por você.
Tanta beleza junta, tanta personalidade, tanta energia...
Encantam-me suas palavras, seus pensamentos... suas dores.
Sou apaixonada pela sua alma.
Entenda, porque eu não entendo. Simplesmente sinto.
Tanta cor, tantos sorrisos, tanto encanto...
Você é como um girassol. Bem grande. Que quando olho só dá vontade de sorrir de volta.
Olho e te vejo. Vejo mesmo.
Vejo o sol, o mar, o céu. Tudo em um mesmo lugar.
Sou apaixonada pela sua alma...Entenda...
Ela é como o primeiro raio de sol entrando pela fresta da janela numa manhã de sábado.
Tudo está calmo e vai se iluminando, tomando brilho, tomando cor.
Não sei descrever de outra forma. 
É linda.
Entenda... Porque eu.. Ah! Eu não entendo.

Inspirado por S."

14 de janeiro de 2015

Deitada no canto, seus tornozelos sangram

Estou cansado de ser vilipendiado, incompreendido e descartado
Quem diz que me entende nunca quis saber
Aquele menino foi internado numa clínica
Dizem que por falta de atenção dos amigos, das lembranças
Dos sonhos que se configuram tristes e inertes
Como uma ampulheta imóvel, não se mexe, não se move, não trabalha
E Clarisse está trancada no banheiro
E faz marcas no seu corpo com seu pequeno canivete
Deitada no canto, seus tornozelos sangram
E a dor é menor do que parece
Quando ela se corta ela se esquece
Que é impossível ter da vida calma e força
Viver em dor, o que ninguém entende
Tentar ser forte a todo e cada amanhecer
Uma de suas amigas já se foi
Quando mais uma ocorrência policial
Ninguém entende, não me olhe assim
Com este semblante de bom-samaritano
Cumprindo o seu dever, como se eu fosse doente
Como se toda essa dor fosse diferente, ou inexistente
Nada existe pra mim, não tente
Você não sabe e não entende
E quando os antidepressivos e os calmantes não fazem mais efeito
Clarisse sabe que a loucura está presente
E sente a essência estranha do que é a morte
Mas esse vazio ela conhece muito bem
De quando em quando é um novo tratamento
Mas o mundo continua sempre o mesmo
O medo de voltar pra casa à noite
Os homens que se esfregam nojentos
No caminho de ida e volta da escola
A falta de esperança e o tormento
De saber que nada é justo e pouco é certo
E que estamos destruindo o futuro
E que a maldade anda sempre aqui por perto
A violência e a injustiça que existe
Contra todas as meninas e mulheres
Um mundo onde a verdade é o avesso
E a alegria já não tem mais endereço
Clarisse está trancada no seu quarto
Com seus discos e seus livros, seu cansaço
Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
E esperam que eu cante como antes
Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
Mas um dia eu consigo existir e vou voar pelo caminho mais bonito
Clarisse só tem 14 anos

3 de dezembro de 2014

mi buen envidia

Pobre inveja,
vil, vergonhosa, me atrevo a confessar:
Quiçá pudesse eu assim, como ela, me deitar no mesmo lençol que o teu, 
me deleitar dos teus beijos e amores confessos!
Quiçá tivesse eu o poder de te submeter aos meus mundos, e atravessar essa barreira que ergues contra o mundo e que chamas de peito!
Aí, quem dera eu, poder olhar em teus olhos e por alguns flashes, registar cada cena tua, sendo assim, como um gato aos pés da dona, atento, atento a cada instante meu.
Confesso, antes que eu parta, que rogo!Rogo, para que a própria - a mesma quem fez morada em teu coração um dia, e que fizeste de teu peito após sair, um  lugar inóspito de sentidos, feito uma cápsula, tão hermeticamente fechada - que me ensines!Me conduzas, donzela de sorte, e permita-me seguir o caminho por onde entrou daquela outra vez que fostes morar ali naquelas entranhas secretas.


1 de dezembro de 2014

'Berimbau' pra mim




Quem é homem de bem
Não trai!
O amor que lhe quer
Seu bem!
Quem diz muito que vai
Não vai!
Assim como não vai
Não vem!...
Quem de dentro de si
Não sai!
Vai morrer sem amar
Ninguém!
O dinheiro de quem
Não dá!
É o trabalho de quem
Não tem!
Capoeira que é bom
Não cai!
E se um dia ele cai
Cai bem!...
Capoeira me mandou
Dizer que já chegou
Chegou para lutar
Berimbau me confirmou
Vai ter briga de amor
Tristeza camará...
Se não tivesse o amor (2x)
Se não tivesse essa dor (2x)
E se não tivesse o sofrer (2x)
E se não tivesse o chorar (2x)
Melhor era tudo se acabar (2x)
Eu amei, amei demais
O que eu sofri por causa de amor ninguém sofreu
Eu chorei, perdi a paz
Mas o que eu sei é que ninguém nunca teve mais...
Mais do que eu
Capoeira me mandou
Dizer que já chegou
Chegou para lutar
Berimbau me confirmou
Vai ter briga de amor
Tristeza camará...

19 de outubro de 2014

Postura niilista da parte arrastada do meu corpo,
cheia de mesuras civilizadas,
em coma, conspurca a cama  friável,
que se destaca para que eu possa ser sorvida,
agora já sou parte do inanimado.

8 de setembro de 2013







Quero  avançar, desligar, altiva num passo adulto, coisa de gente grande;
Mas a minha pequenez também tem sua parcela, chorosa permanece estagnada clamando sossego;
Os eus metades se atacam sem sobrar espaço para o inteiro.